O Pico da Montanha é onde estão meus pés, de Monge Genshō, apresenta o caminho do Zen por meio da história de um praticante iniciante e de suas primeiras experiências com a prática.
Em uma narrativa de ficção, o leitor acompanha os primeiros passos desse personagem: o contato com o zazen, os ensinamentos de um mestre e a participação em um sesshin, o tradicional retiro intensivo e silencioso do Zen. As descobertas, dificuldades e questionamentos do iniciante servem de fio condutor para abordar temas fundamentais da prática e dos ensinamentos budistas.
Sem transformar a narrativa em um manual, Monge Genshō permite que o leitor conheça por dentro aspectos da experiência de um retiro Zen e das transformações que podem surgir quando nos sentamos, fazemos silêncio e começamos a observar a própria mente.
Voltado especialmente a quem está se aproximando do Zen, O Pico da Montanha é onde estão meus pés é, ao mesmo tempo, uma história sobre os primeiros passos de um praticante e um convite à prática — simples em sua forma, mas aberta às questões que acompanham o caminho de investigação proposto pelo Zen.
A primeira vez que encontrei pessoalmente Genshō Sensei, quatorze anos atrás, foi na antiga Comunidade Zen-Budista de Florianópolis, em uma localidade diferente do atual Daissen-ji. Apesar de ter estudado o Budismo anteriormente por alguns anos, considero que aquele foi o meu primeiro encontro verdadeiro com o Dharma de Buddha. O pequeno zendō, por mais simples que fosse, carregava uma atmosfera solene. A compostura dos praticantes mais antigos sugeria que algum tesouro precioso estava ali escondido.
Naquele meu primeiro dia de prática, após minha primeira sessão de zazen — sempre impactante para um iniciante —, sentamo-nos para ouvir uma palestra do Monge Genshō. Não me recordo exatamente do conteúdo completo da palestra, mas lembro que Genshō Sensei falou sobre como o ego causa dukkha — sofrimento, insatisfação, ansiedade. Naquela noite, senti como se tivesse sido golpeado no estômago e enxerguei, pela primeira vez, os contornos ilusórios de meu próprio ego. Apesar de anteriormente ter lido muito sobre dukkha e anatta — “não eu” —, inclusive em sutras e textos budistas antigos, nunca havia entendido realmente como o meu próprio ego causa sofrimento para mim e para os outros. As palavras singelas do Sensei, após uma única sessão de zazen, fizeram-me, pela primeira vez, ter alguma compreensão do Dharma de Buddha. Naquele momento, compreendi também a imprescindível necessidade de se ter a orientação de um mestre no caminho do Zen.
O Pico da Montanha é onde estão meus pés é um pequeno livro de ficção voltado para iniciantes, que descreve os primeiros passos de um praticante Zen-budista, incluindo a primeira participação em um sesshin — a forma de retiro silencioso própria do Zen-budismo. O livro, mais do que conter valiosos ensinamentos embutidos em um breve conto, é um convite para os primeiros passos na prática do Zen. É um livro singelo, mas não nos deixemos enganar pela aparente simplicidade do Zen e dos ensinamentos dos mestres Zen. Como diz o Sensei: “O Zen é enganadoramente simples”. Sim, o Zen é simples, mas essa simplicidade, quanto mais é compreendida, mais vasta e profunda se torna.
O sesshin, descrito neste livro do ponto de vista de um iniciante no Zen, é uma prática que todos os seres humanos deveriam experimentar. Em alguns sutras, Buddha diz que, com o esforço correto e as condições corretas, um praticante poderia alcançar o despertar em apenas sete dias. Isso pode parecer impossível, mas um sesshin tenta criar as condições para que exista essa possibilidade. Durante um desses retiros, no fim da década de 2010, emocionado com a beleza e a profundidade daquela prática, perguntei ao venerável mestre Dōshō Saikawa, personagem deste livro e mestre de transmissão de Monge Genshō: “Quem inventou essa Grande Prática do sesshin?”. Após um instante, o grande mestre me respondeu: “Eu não sei. Mas talvez, na época de Buddha Shakyamuni, ele e seus discípulos praticassem assim, todos os dias”.
Por vinte e cinco séculos, sucessivas gerações de mestres e praticantes preservaram cuidadosamente e trouxeram para o momento presente a Grande Prática de Buddha Shakyamuni. Com esta obra, Monge Genshō convida o leitor a descobrir tal prática que conduz ao despertar.
João Destri — Jōken Sensei
Professor leigo do Dharma no âmbito da Daissen
Agosto de 2020
Monge Genshō é mestre Zen da tradição Sōtō e dedica-se há mais de 50 anos ao estudo, à prática e à difusão dos ensinamentos do Buddha. Abade do Daissen-ji, templo oficial da Sōtōshū no exterior, é sucessor de Dōshō Saikawa Rōshi e atua como Missionário Internacional da Escola Sōtō Zen.
Fundador da Comunidade Zen-Budista Daissen, orienta praticantes no Brasil e no exterior, procurando transmitir o Dharma com profundidade e, ao mesmo tempo, torná-lo acessível à mente ocidental.
Em seus livros e ensinamentos, aborda os fundamentos e a prática do Zen relacionando uma tradição de séculos às questões da vida contemporânea. Sua escrita procura tornar temas complexos do Budismo compreensíveis sem afastá-los da experiência concreta da prática.
Título: O Pico da Montanha é onde estão meus pés
Autor: Monge Genshō
Apresentação: João Destri — Jōken Sensei
Editora: Daissen
Ano: 2026
Páginas: 197
ISBN: 978-65-983027-4-0
Temas: Sōtō Zen | Budismo | Zazen | Sesshin | Prática Zen | Ensinamentos budistas | Ficção
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