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Prefácio da Edição Brasileira
Já nos finais de 2010, Denshō Quintero Rōshi e eu estávamos nas montanhas geladas da Califórnia, em nosso treinamento monástico, Shuritsu Senmon Sodō, em Yokoji, que, para nós, eram tempos inocentes em que, como monges em treinamento, ríamos de nossas pequenas agruras ao trabalhar na neve que nos cobriu imaculada durante meses sem fim. Seu bom humor e liderança foram sempre inspiradores. O acaso nos deu assentos lado a lado no zendō; assim, ali sentamos, comemos, ouvimos palestras.
Entre os professores brilhantes que vieram nos ensinar estava Okumura Rōshi, alto e surpreendentemente jovem para um sexagenário. Era o mestre de Denshō Quintero, que mais tarde viria a nomeá-lo seu sucessor. Okumura Rōshi é um dos mais respeitados tradutores de Dōgen Zenji; as notas de rodapé que comentam os textos do mestre do passado são normalmente mais extensas do que o texto original — tanto tem o brilhante tradutor a considerar sobre o verdadeiro palimpsesto que representam textos de 800 anos atrás, escritos em ideogramas de múltiplos significados possíveis.
Ouvir as aulas de Okumura Rōshi foi sempre um privilégio, quase como ser tomado por um furacão de conhecimento que deixava a mente em dúvida se jamais poderíamos alcançar aquela abrangência das profundidades abissais do mestre Dōgen. Denshō Quintero Rōshi abraçou a linhagem de Okumura Rōshi e a seguiu fielmente. Não é de surpreender que seja ele a nos presentear com este livro sobre o Zen de Dōgen Zenji. Seu mestre, agora se aposentando de parte de suas atribuições, deixou-lhe o legado da transmissão e o dever de continuar com a tarefa de explicar a nós o que aquele que introduziu o Zen Soto ao Japão tinha a dizer.
Tenho a honra de poder chamar Denshō Quintero Rōshi de amigo e irmão — coisa que sempre repetimos quando nos encontramos. Os tempos de monastério consolidaram esta irmandade. Editar e solicitar a tradução de seus livros é o que de melhor posso fazer para ampliar o conhecimento disponível no Brasil sobre os textos que estão na origem da tradição Soto Zen. Desejo que todos se sintam tão inspirados quanto eu ao ler estas palestras sobre o Dharma de Buddha.
玄祥
Monge Genshō
Abade do Daissenji
Sobre o autor
Denshō Quintero é mestre missionário da escola Soto Zen do Japão desde 2013. Sua trajetória nessa tradição, no entanto, começou em 1984, quando passou a se dedicar ao estudo e à prática do budismo Soto Zen. Em 2001, recebeu a ordenação monástica no templo Antaiji, no Japão.
Herdeiro no Dharma do Ven. Shohaku Okumura Rōshi, é o fundador e atual abade do templo Zen Mente Magnânima, Daishinji, vinculado à Comunidade Soto Zen da Colômbia. Em dezembro de 2021, o Daishinji foi reconhecido como templo oficial da Sotoshu.
Denshō Quintero traduziu para o espanhol os livros Abrir la mano del pensamento, do mestre Kōshō Uchiyama (Kairós, 2009); Corazón del Zen, práctica sin nada que obtener, de vários autores (CSZC, 2012); e Vivir guiados por el voto, do mestre Shōhaku Okumura (Nous, 2022).
É também autor dos livros: Conciencia Zen, reflexiones para la vida cotidiana (Alhue, 2006); El Despertar Zen, el camino de un monje colombiano (Intermedio, 2012); Zen, un camino de transformación (Kairós, 2016); e Dudar de la Propia comprensión (Destiempo, 2018).
Além disso, é coautor de Budismo y Cristianismo en diálogo (San Pablo, 2018), Voto ilimitado, práctica sin fin (Dogen Institute, 2022) e Adding Beauty to Brocade (Dogen Institute, 2023).
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